Inquérito sobre Formação de Professores de Educação Física em Portugal.

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No âmbito do Observatório de Educação Física e Desporto Escolar, o CNAPEF e a SPEF estão a realizar um estudo sobre a formação inicial e contínua dos professores de Educação Física, que se encontram no ativo.

Pretende-se conhecer as características da formação inicial dos professores, bem como as práticas de formação contínua que têm desenvolvido ao longo da sua carreira profissional. Os dados recolhidos, depois de tratados e analisados, serão divulgados por toda a comunidade profissional e ajudarão a perspectivar caminhos relacionados com a formação dos professores de Educação Física.

Sendo este um questionário em formato digital e a sua disseminação realizada por via electrónica, solicitamos a todos colegas a colaboração no sentido de reencaminharem esta solicitação para os colegas do grupo de Educação Física ou outros colegas da vossa lista de contactos. Quantos mais formos, maior validade terão os dados recolhidos e melhor poderão ser as conclusões deste trabalho.

Poderão aceder ao inquérito através da seguinte ligação –  Inquérito Formação Professores EF Portugal.

Agradecendo antecipadamente a V. colaboração, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

As direcções do CNAPEF e da SPEF.

João Lourenço

Nuno Ferro

 

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Intervenção do CNAPEF na Assembleia da República.

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O CNAPEF e a SPEF, através dos seus presidentes, estiveram hoje, dia 25 de Fevereiro, presentes numa audição pública na Assembleia da República. Esta ação, promovida por um grupo de deputados da Comissão de Educação, Ciência e Cultura que está a tratar as questões dos currículos, teve como objetivo reflectir e auscultar vários parceiros sociais sobre os currículos na escolaridade obrigatória.

Na nossa intervenção começámos por questionar os presentes sobre a missão e o papel da escola e do currículo hoje, algo para o qual temos de analisar as atuais políticas educativas, pois estas têm, no nosso entender, imprimido uma lógica de fracasso educativo a vários níveis:

  1. Têm vindo a descredibilizar a escola pública e os valores que fazem dela o maior bem de desenvolvimento social;
  2. Colocaram como o centro do processo (des)educativo uma desenfreada examinação, externa, em papel com caneta, para certificar hipotéticas aprendizagens, claramente centrada em apenas duas disciplinas, em vez de implementarem processos eminentemente avaliativos para educar;
  3. Têm sucessivamente procurado comparar o incomparável. Os resultados dessas examinações externas com os resultados das avaliações internas, procurando descredibilizar o papel essencial destas últimas;
  4. Têm procurado acabar com a aquisição, desenvolvimento e consolidação de competências, abrindo uma guerra ridícula entre conteúdos e competências, como se ambas não fossem duas faces da mesma moeda.

Significa isto que a escola hoje não pode voltar ao que era há 60 anos – examinava para excluir em vez de avaliar para ensinar, procurava instruir para certificar e selecionar, em vez de ensinar e diferenciar para a inclusão, para o sucesso.

No nosso entender, nos processos de tensão e negociação claramente tecnocráticos em que se edificou o actual currículo, negligenciou-se aquilo que é hoje decisivo no sucesso de qualquer sociedade evoluída e civilizada – preparar os futuros cidadãos para uma verdadeira vida activa nessa mesma sociedade, em todos os planos onde a mesma se manifesta e desenvolve (família, amizade, amor, mercado de trabalho) e não somente neste último e/ou na pseudo-preparação das crianças e jovens para o sistema universitário.

Consequentemente, antes de se procurar discutir o currículo dentro da lógica tecnocrática, consideramos que a escola deve, mais do que nunca, preparar os futuros cidadãos para:

  • Respeitarem-se a si próprios, aos outros e às regras instituídas;
  • Serem solidários e não solitários;
  • Saberem cooperar entre si;
  • Saberem trabalhar em equipa;
  • Saberem tomar decisões com e sem pressão;
  • Saberem liderar;
  • Serem resilientes;
  • Saberem gerir o insucesso;
  • Serem saudáveis.

Estas competências a que chamamos sociais são a chave do nosso sucesso colectivo enquanto sociedade e comunidade, pois são elas que garantem que o bem comum está sempre acima do bem individual porque, em última análise, o primeiro garante o segundo.

É aqui que, seja qual for o passo que se queira dar para reformar o atual currículo, jamais se poderá abdicar da Educação Física (EF) em todos os ciclos de ensino como área estrutural, essencial e insubstituível no processo educativo de aquisição, desenvolvimento e consolidação destas competências sociais. A EF é a única área do currículo que, pela natureza e multiplicidade dos contextos que promove (situações de jogo em equipa com regras claramente definidas e permanente solicitação de tomadas de decisão com e sem pressão, criação e elaboração de sequências e coreografias, situações de permanente desafio e superação, individuais e coletivas, de treino da dança em ambiente social, de exploração da natureza, de desenvolvimento da aptidão física na perspetiva da saúde, etc.), incide claramente sobre as mesmas e sobre aquilo que é hoje uma absoluta necessidade social – uma educação orientada para os valores, para a cidadania e para ética.

Se o que estiver em debate, no âmbito curricular, é a educação das nossas crianças e dos nosso jovens, então não pode haver dúvidas, seja do ponto de vista filosófico, técnico, científico, de senso comum, ou de outro qualquer, que Não Há Educação sem Educação Física.

João Lourenço.

Presidente do CNAPEF.

Créditos pela imagem: “Palácio de São Bento (Lissabon 2009)” por Stefan Didam – Schmallenberg – “Selbst fotografiert – own work”. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

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Importância da Educação Física em discussão na Assembleia da República.

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CNAPEF e a SPEF estarão amanhã, dia 25 de fevereiro, no Auditório do Novo Edifício da Assembleia da República no âmbito da Audição Pública  – “Reflexão sobre os currículos da escolaridade obrigatória”.

Representados pelos respectivos presidentes, João Lourenço e Nuno Ferro, as duas organizações irão fundamentar as suas intervenções a partir de uma reflexão centrada no papel da disciplina de Educação Física (EF) no currículo nacional, com referência a algumas medidas educativas dos últimos três anos e seus efeito. Esta reflexão, que poderá descarregar através desta publicação, está organizada nas seguintes temáticas:

  1. A EF no Currículo Nacional.
  2. A Importância da da Avaliação em EF.
  3. A importância da manutenção da atual lógica conceptual do currículo de EF e urgente definição e implementação de Metas Curriculares para EF.
  4. O 1º ciclo como o “parente pobre” do desenvolvimento curricular da EF
  5. Clarificação conceptual entre EF e Desporto/Desporto Escolar.

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CNAPEF no Seminário – Atividades de Enriquecimento Curricular e de Apoio à Familia.

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No passado dia 9 de fevereiro de 2015, teve lugar no auditório do Instituto Português da Qualidade (IPQ) um seminário para apresentar publicamente a Norma Portuguesa (NP) 4510:2015, “Atividades de Enriquecimento Curricular e de Apoio à Familia”.

O CNAPEF, enquanto membro da Comissão que esteve na base da sua génese, foi convidado pelo Presidente da mesma e Sub-Diretor Geral de Educação, Dr. Pedro Cunha, para proferir uma comunicação no painel “Para quê a NP 4510?”. A intervenção da equipa do CNAPEF, liderada pelo seu Presidente João Lourenço, sintetizou-se em 4 grandes linhas gerais:

  1. Elencámos esta Comissão porque, antes e acima de tudo, somos parceiros sociais independentes e ativos, tal como quase todos os que a elencaram, porque respeitámos a opção política tomada em relação a esta matéria e porque sempre considerámos muito importante a avaliação da qualidade das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC), bem como o seu impacto;
  2. No decorrer dos trabalhos da referida Comissão, sempre discordámos e continuamos a discordar da designação de “técnicos” de AECs em detrimento da designação “professores”. Independentemente de qualquer diretiva comunitária ou do quadro normativo atualmente em vigor no nosso País, sempre suscetível de ser mudado em função da sua maior ou menor adequação ao bem comum, a ação profissional dos profissionais que atuam neste espaço, em particular no que diz respeito à Atividade Física e Desportiva (AFD), é de planeamento, avaliação e ensino de matérias devidamente objetivadas e identificadas, logo, de professor.
  3. No atual momento em que esta Norma está concluida e é apresentada, questionamo-nos sobre a sua pertinência e utilidade, pois todos os sinais nas atuais políticas educativas vão no sentido da desvalorização das AEC no ciclo a que se destinam, o 1º ciclo.
  4. Ainda no atual quadro das políticas educativas, duvidamos que esta Norma ou uma avaliação mais aprofundada da qualidade das AEC, naquilo que diz respeito à AFD, nomeadamente o impacto desta área na “educação física” das nossas crianças e jovens, seja exequível ou sequer possível. As AEC em geral, e a AFD em particular, têm como principal missão enriquecer o currículo, mas o que é facto é que, sem se garantir o currículo na área da Educação Física no 1º ciclo (todos sabemos que este é um problema crónico no nosso País há mais de 40 anos), como é que se enriquece, ou se avalia a qualidade ou o valor acrescentado, de uma coisa que, por e simplesmente, não existe?
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Seminário – Avaliação Interna e Qualidade das Aprendizagens.

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O CNAPEF marcou hoje presença no Seminário Avaliação Interna e Qualidade das Aprendizagens, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Educação.

Pode ler-se no programa desta seminário que “a avaliação interna das aprendizagens assume alguma centralidade no sistema educativo português por ter um peso significativo relativamente à avaliação externa e, antes do mais, por implicar um trabalho continuado, centrado nas aulas, nos alunos e nos professores, desenvolvido ao longo de ciclos de escolaridade, ao qual se reconhece um papel fundamental. Mas é também aqui que residem alguns dos maiores desafios nesta área.”

Foi a partir deste enquadramento que foram apresentadas conclusões de estudos nacionais e internacionais, reflexões pessoais e testemunhos sobre as práticas de avaliação na sala de aula, o papel dos órgãos de gestão da escola na definição das orientações para avaliação interna dos alunos, as diferentes concepções em torno dos vários tipos de avaliação integrados na legislação educativa, entre outros. Foi ainda dado destaque ao feedback com uma ferramenta essencial para a aprendizagem, através do exemplo do treino desportivo apresentado pelo nosso colega António Vasconcelos Raposo.

A destacar a apresentação do estudo internacional – Sinergias para uma Melhor Aprendizagem: Uma Perspectiva Internacional sobre Avaliação, da OCDE, na pessoa de Paulo Santiago, membro da Direção de Educação. Este trabalho, que comparou resultados de 28 países, apresenta um conjunto interessante desafios e orientações.

Gostaríamos de destacar 4:

  1. Alinhar a Avaliação com os Objectivos de Ensino e Metas de Aprendizagem dos Alunos.
  2. Colocar o aluno no centro do quadro de Avaliação, monitorizando resultados amplos da aprendizagem entre os quais as competências sociais, o pensamento crítico e o empenho em prol da aprendizagem e do bem estar geral.
  3. Desenvolver competências a todos os níveis, nomeadamente dos agentes que lidam directamente com avaliação – professores e direcções de escola.
  4. Conceber com êxito e construir consensos, garantindo dados relevantes na concepção dos quadros de avaliação e procurando construir uma cultura de aceitação de mudança de paradigma em torno da avaliação.

Face à realidade das práticas de avaliação das escolas, e das mais recentes orientações políticas relativas à educação, podermos dizer com certeza que existe muito trabalho a fazer. Resta saber se quem lidera, nomeadamente os responsáveis por este Ministério da Educação e Ciência, têm vontade para o fazer.

Documentos relacionados com o Seminário:

 

 

 

 

 

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Educação Física nas escolas, o elo mais fraco.

Os professores de Educação Física estão indignados com o que consideram ser o desinvestimento do Governo nesta disciplina. E perguntam: se em todo o lado ouvimos falar da importância de praticar actividade física e combater o sedentarismo, porque é que nas escolas assistimos exactamente ao oposto?

Revistas, jornais, livros, programas de televisão, em todo o lado a mesma mensagem: combater o sedentarismo é fundamental para a saúde, é importante deixar o sofá e praticar actividade física, fazer ginástica, jogar futebol, correr, ou, pelo menos, andar. Então, interrogam-se os professores de Educação Física (EF), se é uma opinião aparentemente tão consensual, porque é que assistimos a um desinvestimento cada vez maior nesta disciplina nas escolas?

Um desinvestimento que, diz Nuno Ferro, presidente da Sociedade Portuguesa de Educação Física (SPEF), “começou claramente na actual legislatura”. O “primeiro sinal”, explica, surgiu com o decreto-lei 139 de 2012, que reduz a carga horária da EF no 3.º ciclo (do 7.º ao 9.º anos, em que passou a fazer parte de uma área de Expressões e Tecnologias) e no secundário (do 9.º ao 12.º, em que passou de 180 minutos semanais para 150).

O “segundo sinal” foi o facto de, de acordo com o mesmo decreto-lei, a EF deixar de contar para a nota final do aluno e para a média de acesso ao ensino superior. “Os alunos que estão numa aula que conta para a avaliação têm uma postura completamente diferente da que têm se souberem que não vai contar para nada”, sublinha Nuno Ferro. “E não nos foi dado um único argumento que sustente esta medida. A única coisa que nos foi dita foi que se pretendia tirar de cima dos professores de EF essa responsabilidade. Mas o nosso trabalho como professores, seja de EF, de Português ou de Matemática, é assumir o que representamos na vida dos alunos e agirmos em conformidade com o que eles fazem nas nossas aulas.”

O responsável da SPEF acredita que por trás da medida está a ideia de que uma má nota a EF poderia baixar a média de um aluno excelente a todas as outras disciplinas e pôr em causa o seu acesso à universidade. Mas, afirma, trata-se de um argumento que “não é fundamentado”. E explica porquê: “Pedimos a várias escolas para fazerem o levantamento daquilo que eram os efeitos da nota de EF e verificámos que a percentagem de alunos prejudicados na sua média final por causa dela é de 2 a 2,5%. Sendo que a nota de EF beneficiava os alunos em cerca de 46% dos casos. Trata-se de um estudo feito em 2012 em escolas da região de Lisboa, às quais pedimos esses dados, que o Ministério da Educação não tem.”

Além disso, Nuno Ferro argumenta que “não é possível a um aluno de 19 e 20 noutras disciplinas ser fraco a EF se a tiver, como está previsto pela lei, desde o 1.º ao 12.º ano”. Isto porque “a exigência classificativa da EF não tem nada a ver com criar talentos desportivos”, explica. “O que nós queremos é criar nos alunos o desenvolvimento de uma capacidade de desempenho motora que lhes permita, de forma ecléctica, abarcar várias áreas, da desportiva às actividades de exploração da natureza, passando pelas rítmicas e expressivas.”

E o que é, afinal, valorizado por um professor de EF? “As mesmas características que fazem um bom aluno em qualquer disciplina: tem que ser um aluno que cumpra, que seja aplicado e que procure o seu desenvolvimento. Um aluno que só lá vai mostrar aquilo que já sabe não satisfaz as exigências da EF.” Ou seja, “aquela ideia de que um aluno que é muito bom no futebol no clube da terra só por isso vai ter boa nota não é verdade, porque ele tem que ser bom também a dançar, por exemplo.”

Trabalho de equipa
A EF pretende também desenvolver o trabalho em equipa. “O aluno que pensa que é tão bom que pode pegar na bola e fintar todos, está a ter um comportamento que não é valorizado. A finta é tão importante como a capacidade de cooperar com os outros, o ter espírito de equipa, ajudar o outro, e a até a capacidade de demonstrar dificuldades perante os outros.”

Um problema que começa a aparecer com mais frequência, continua Nuno Ferro, é os alunos chegarem ao 3.º ciclo ou ao secundário sem a tal formação básica que deviam ter tido desde o 1.º ano. “Um dos grandes males de que padece a nossa área prende-se com a forma como é dada a EF no 1.º ciclo, que ainda funciona muito na lógica de ser apenas um professor que lecciona tudo. As áreas de expressão podiam ser dadas por um professor coadjuvante, mas em muitos casos nunca surgiram condições para que houvesse esses professores. É claramente uma área em défice, o que faz com que, por hipótese, possa haver miúdos entre os 6 e os 10 anos que não têm acesso a qualquer tipo de actividade física organizada, o que é um elemento muito negativo para todo o percurso deles.”

É muito importante começar cedo, insiste. “No fim do pré-escolar e início do 1.º ciclo os miúdos estão em idades críticas para alguns dos padrões motores fundamentais, que são a base para que possam ser pessoas fisicamente bem educadas. Começarmos esse processo de educação motora no 2.º ciclo é tarde. Apanhamos miúdos que já perderam muito do que eram as suas possibilidades, e vão estar sempre com algum atraso em relação aos que começaram no 1.º ciclo.”

Importância dos rankings
Claro que muito depende da autonomia das escolas e das opções que estas queiram fazer. Mas mesmo esta autonomia é de certa forma condicionada, afirma o responsável da SPEF. “Um director de uma escola é condicionado por rankings. Quanto melhor estiver no ranking mais créditos a escola recebe, e a subida no ranking é feita com base nos resultados a Matemática e Português. Se esse director der mais tempo a essas duas disciplinas, em princípio os alunos vão ter melhores resultados. E a que disciplinas é que ele pode ir tirar tempo? Às que a lei permite, ou seja à EF. Quando falamos de autonomia temos que perceber que essa autonomia está moldada por princípios que valorizam outras coisas.”

O que representa uma contradição, afirma também José Alves Diniz, presidente da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa: “Há vários estudos internacionais sobre as implicações que a actividade física tem para as disciplinas ditas cognitivas, nomeadamente a matemática e a língua materna, que associam claramente a prática de actividade física a melhores resultados nessas duas áreas”.

Um desenvolvimento motor mais débil tem consequências no cognitivo, sublinha. “Temos cada vez mais crianças e jovens que não conseguem fazer coisas simples do ponto de vista motor, como andar de bicicleta ou passar por equilíbrios instáveis, como um tronco de árvore, num percurso simples. Cada vez há menos actividade física espontânea. E os pais preferem tê-las ao pé deles no sofá a ver televisão ou a jogar computador e não percebem que isso representa um risco muito grande ou até superior ao de estarem a brincar num jardim e a subir a árvores.”

Há raízes culturais na forma como os portugueses encaram a educação física. “Existem estudos que indicam que os adultos em Portugal, para além de fazerem muito pouca actividade física, são, na Europa, os que se mostram menos preocupados com essa questão”, refere José Alves Diniz. “Na Finlândia, cerca de 70% fazem actividade física com regularidade, mas mesmo assim consideram que deviam fazer mais, enquanto em Portugal só 20% fazem, mas acham que já fazem o suficiente.”

Nuno Ferro explica também que “a EF como temos hoje nas escolas portuguesas é uma conquista do 25 de Abril” e lembra que só em 1993 é que apareceram pela primeira vez os programas nacionais de educação física, o que provocou uma enorme mudança positiva.

Nos últimos anos tem-se notado uma pequena melhoria, com mais gente a dedicar-se à actividade física, mas, lamenta José Alves Diniz, não há incentivos para isso. “As políticas públicas que desvalorizam a presença da educação física nas escolas enviam precisamente uma imagem contrária”, diz, referindo vários estudos, nomeadamente nos Estados Unidos, que apontam no sentido oposto, ou seja, para que seja dada maior importância à actividade física, ligando-a a melhores resultados escolares. Um estudo recente, da Universidade de Toronto, no Canadá, conclui até que o desporto e a ginástica nas escolas contribui para reduzir os níveis de stress, ansiedade e depressão.

Escolher o que mais interessa
Nuno Ferro acrescenta que o Desporto Escolar, uma opção em que o aluno escolhe a modalidade de que mais gosta, não serve como substituição, porque “cumpre objectivos diferentes”. “Há muitas pessoas, mesmo na área do desporto, que acham que a formação dos alunos deve ser especializada desde cedo, mas nós defendemos que o que lhes deve ser dado é uma base alargada para que depois possam escolher a via que mais lhes interessa.”

Nuno Ferro diz ter recolhido dados sobre a prática do Desporto Escolar que lhe permitiram chegar à conclusão que este é praticado por apenas 14% dos alunos. “E o que acontece com os outros 86% se não houver uma disciplina de EF no currículo?”, interroga-se. “É por isso que dizemos que esse maior investimento que possa existir no Desporto Escolar nunca poderá substituir o resto.”

Ana Santos, presidente do Conselho Pedagógico da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, defende, por seu lado, que é “urgente” aumentar o número de horas de prática do Desporto Escolar, em que os miúdos se dedicam à modalidade que preferem. “O Desporto Escolar – de onde saem os campeões olímpicos do atletismo – devia assentar em projectos de regularidade e continuidade e não ser deixado ao sabor da mobilidade dos professores e respectivas apetências, com quadro competitivo na escola e inter-escolas em várias modalidades, assumido sem complexos. As modalidades de sucesso deviam ser uma das marcas de identidade de cada Agrupamento. A competição desportiva faz bem, contrariamente ao que se supõe – saber perder é muito importante e querer vencer, no interior de um quadro normativo, é super-pedagógico.”

Por outro lado, é também muito crítica do facto de a avaliação a EF não contar para a média final. O problema, na opinião de Ana Santos, é que “grande parte das escolas faz adaptações ao programa de EF, não garantindo uniformidade na sua aplicação” nem nos critérios de avaliação, o que acaba por “colocar pais e encarregados de educação (maioritariamente dos bons alunos) contra a avaliação na disciplina”.

E conclui: “A avaliação na EF é, por todos os motivos, simbolicamente importante porque avalia competências do saber fazer diferentes das outras disciplinas. Não basta ‘marrar’ as componentes críticas do encestar uma bola ou marcar um golo há que vivê-las e senti-las com o corpo. Para além do mais, há um conjunto de valores ligados com o trabalho em equipa, respeito de regras, disciplina, e até mesmo de sacrifício, que são cruciais na educação dos jovens.”

Perante estes argumentos, o que têm sido as respostas dos responsáveis políticos aos protestos dos professores? “Concordância e silêncio”, responde Nuno Ferro. “Nunca nos foi dado um único argumento. Em última análise, o que dizem é que estas eram medidas inscritas no programa do Governo e que tinham que ser aplicadas. Não quero entrar por este debate, mas o que vemos é que tem sido atribuído cada vez mais tempo a disciplinas como o Português e a Matemática e os resultados dos alunos não são compatíveis com esse incremento, o que poderá indicar que mais tempo por si só não vai resolver o problema.”

Não se trata de desvalorizar os rankings, frisa. “Mas estes não podem ser o universo das preocupações. Há uma formação que passa pela educação física, visual, musical, áreas que deviam fazer parte do património formativo e que são cada vez mais retiradas porque, simplesmente, o tempo não chega para tudo.”

 

 

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Fascículos de Ética no Desporto (ILIDH/PNED) para Professores e Treinadores – Parecer Técnico CNAPEF e SPEF.

No âmbito do projeto “Programa para a Inclusão e Vida Saudável” o Instituto Luso-Ilírio para o Desenvolvimento Humano (ILIDH) e o Plano Nacional da Ética no Desporto (PNED/IPDJ) solicitaram ao CNAPEF e à SPEF um parecer técnico relativo ao fascículo orientador para os professores e ao para treinadores, nomeadamente acerca da sua intervenção do ponto de vista da educação para os valores, estando esta intervenção também enquadrada no Módulo LED’s Play do Programa LED on Values. 

Na sequência desta solicitação foi elaborado um  parecer técnico por CNAPEF e SPEF – Fascículos de Ética no Desporto para Professores e Treinadores, que partilhamos nesta publicação.

2014-2015 Parecer Fascículos Professor-Treinador 1

2014-2015 Parecer Fascículos Professor-Treinador2

2014-2015 Parecer Fascículos Professor-Treinador3

 

 

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Ciclo de Tertúlias – Estórias da Educação Física e Desporto

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Caros colegas,

A SPEF – Sociedade Portuguesa de Educação Física e o CNAPEF – Conselho Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física vão organizar um ciclo de tertúlias com figuras de referência da Educação Física e Desporto, denominadas “Estórias da Educação Física e Desporto”.

Pretende-se, num ambiente  informal, criar um espaço de conversa em que possamos escutar a palavra daqueles que vivenciaram muitos dos processos que afirmam as características da nossa área de ação profissional, em que hoje nos movemos. Será certamente um importante contributo para a edificação da nossa memória coletiva e da nossa profissionalidade, em especial para os nossos profissionais mais jovens.

Estão previstas quatro sessões com o seguinte programa:

Estórias da Educação Física

28 de novembro – 6ªfeira – 21 horas

Faculdade de Motricidade Humana

Convidados

David Manuel Monge da Silva

Olímpio de Sousa Coelho

Moderador

José Gregório Viegas Brás

Inscrições obrigatórias entre 10 e 28 de novembro

 

 

Estórias do Desporto

9 de janeiro – 6ª feira – 21 horas

Local a definir (Lisboa)

Convidados

António Jacinto B. Vasconcelos Raposo

Hermínio Francisco Xavier Barreto

Moderador

Mário Fernando da Conceição Gomes

Inscrições entre 8 de novembro e 9 de janeiro

 

 

Estórias da(s) Escola(s) de Formação

6 de fevereiro  – 6ª feira – 21 horas

Local a definir

Convidados

António José Ramos de Paula Brito

Carlos Alberto Ferreira Neto

Moderador

António José Mendes Rodrigues

Inscrições entre 19 de janeiro e 6 de fevereiro

 

 

Estórias do Associativismo

6 de março – 6ª feira – 21 horas

Local a definir

Convidados

Manuel Cândido de Araújo Pedreira

Outro convidado ainda sujeito a confirmação

Moderador

Luís António Fernandes Bom

Inscrições entre 16 de fevereiro e 6 de março

 

 

NOTA: Brevemente seguirá programa detalhado alusivo à 1ª Tertúlia, bem como o seu processo de inscrição

 

Com os nossos melhores cumprimentos

Nuno Ferro (Presidente da Direção da SPEF)

João Lourenço (Presidente da Direção do CNAPEF)

 

P.S. Agradecemos a divulgação desta informação pela lista dos seus contatos profissionais.

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Orientação. Desporto com Pés e Cabeça.

Orientação

A Federação Portuguesa de Orientação disponibiliza no seu site um livro muito interessante sobre a modalidade.

Mapas de Orientação, sugestões sobre aprendizagem da modalidade, treino técnico e mesmo organização de um evento, tudo isto e muito mais neste documento da Federação Portuguesa de Orientação, para os qual colaboraram António Aires, Luís Quinta-Nova, Luís Santos, Natália Pires, Raquel Costa e Rui Ferreira.

Orientação. Desporto com Pés e Cabeça.

 

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Estudo sobre as repercussões da classificação da EF não contar para a média no Ensino Secundário.

Avaliação ES EF

A SPEF e o CNAPEF decidiu divulgar e apoiar um estudo desenvolvido pela Universidade Lusófona na pessoa dos investigadores Eliana Carraça (elianacarraca@gmail.com) e António Palmeira (antonio.palmeira@ulusofona.pt).

Neste momento conturbado da vida da nossa disciplina nas escolas, especialmente ao nível do ensino secundário, urge fazer uma avaliação do efeito que esta situação pode estar a ter na nossa forma de actuar ao nível do processo ensino-aprendizagem.

Com base nesta premissa, gostaríamos de poder contar com a sua colaboração, caso seja professor de turmas do ensino secundário, para a realização de um estudo que está a ser realizado pelo doutoramento e mestrado em Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

Caso já tenha respondido a este questionário, que decorreu junto de algumas escolas durante este ano lectivo, não necessitará de o responder novamente.

Agradecemos a sua participação, e comprometemo-nos a divulgar os resultados em breve, para que possam ser tomadas decisões consubstanciadas sobre a situação actual.

Clique no link abaixo para aceder ao questionário, por favor

Opção 1 para link para Questionário

ou

Opção 2 para link para Questionário

Muito obrigado

As direções do CNAPEF e da SPEF

E os investigadores responsáveis,

Eliana Carraça

António L. Palmeira

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Avaliação Externa das AECs

Logo Estuda Avaliação Externa

Notícia transcrita do site da SPEF.

“No passado dia 26 de Junho as direções da SPEF (Lídia Carvalho e Luís Fernandes) e do CNAPEF (Nuno Fialho) estiveram presentes na sessão pública de divulgação do Estudo de Avaliação Externa das Atividades de Enriquecimento Curricular no 1º Ciclo do Ensino Básico. 

Este estudo, encomendado pelos serviços da DGE – Direção Geral da Educação, foi desenvolvido por uma entidade externa – Universidade de Évora (CIEP – Centro de Investigação em Educação e Psicologia) e resultou de uma parceria conjunta com as várias associações profissionais, a saber: SPEF, CNAPEF, APPI (Associação Portuguesa de Professores de Inglês) e APEM (Associação Portuguesa de Educação Musical).

Entre as inúmeras conclusões e recomendações que poderão ser consultadas, desde já, no documento distribuído nesta sessão, o estudo salienta as AFD (atividades físicas e desportivas) como aquelas de que os alunos mais gostam e que lhes são leccionadas por professores com um grau de habilitação mais elevado (em comparação com o ensino do Inglês, da Música ou Atividades Lúdico Expressivas).

Embora com elevada representatividade (85%) estas AFD, como atividades voluntárias que são, excluem a participação de cerca de 15% do universo dos alunos estudados.

O estudo indicia um dado, já há muito constatado pelas direções da SPEF e do CNAPEF:

As Atividades de Enriquecimento Curricular (AECs) e particularmente as Atividades Físicas e Desportivas (AFDs), como atividades voluntárias que são, estão, em muitos casos, a substituir a atividade obrigatória e curricular da Expressão e Educação Físico Motora que é praticamente inexistente nas escolas do nosso país.”

Pode descarregar o documento distribuído na sessão de apresentação no site da SPEF.

 

 

 

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Estudo com mais de 2000 crianças e jovens comprova efeitos benéficos do Exercício Físico no Rendimento Escolar.

The Journal of Pediatrics publicou recentemente um artigo que comprova mais uma vez a relação entre a aptidão física e a performance académica dos alunos.

Este trabalho, onde foram analisados dados de 2038 jovens e crianças de Cadiz e Madrid, está integrado numa investigação longitudinal de 3 anos com o objectivo deste  de recolher informações sobre possíveis associações entre componentes da aptidão física e a performance académica.

Para a avaliação da aptidão cardiorespiratória os investigadores utilizaram o teste do vai e vem. Na habilidade motora foi utilizado um teste de 4×10 metros em corrida com mudança de direção e de movimento para avaliar  a agilidade, a coordenação e a velocidade de movimento. Para a força foi utilizado um algoritmo com referência à força de preensão e distância de salto. Para a avaliação da performance académica foram utilizados os resultados dos alunos na disciplinas Matemática, Língua Materna, uma média destas duas disciplinas e ainda a média dos alunos nas disciplinas anuais.

A análise dos resultados evidência 3 resultados interessantes:

  1. A capacidade cardiorespiratória e a capacidade motora estão independentemente associadas a cada um dos parâmetros avaliados na performance académica dos alunos, mesmo após ajustados para indicadores relativos à aptidão física e à composição corporal dos avaliados.
  2. A força muscular está associada à avaliação dos parâmetros considerados na performance académica dos alunos, mas não de uma forma independente. Encontra-se associada à performance académica, mas está dependente dos resultados obtidos nos testes do vai e vem e dos 4x10m.  
  3. Nos grupos de alunos com piores valores nas capacidades cardiorespiratória e capacidade motora, observou-se piores resultados académicos.

table III

Num altura em que alunos, pais, escolas, Ministério da Educação e Ciência e sociedade em geral andam preocupados com os resultados dos exames, talvez seria importante estudar a fundo quais as variáveis que verdadeiramente e de uma forma comprovada influenciam o rendimento escolar dos alunos? Não só numa perspectiva de obter melhores resultados no PISA, mas fundamentalmente na construção de um país mais produtivo, empreendedor e com maior capacidade de resiliência.

Aproveitando as evidências de mais um estudo que comprova a relação positiva entre aptidão física e rendimento escolar, deixamos aqui, mais uma vez. a nossa sugestão estratégica de valorização e reforço da atividade física orientada na escola.

Poderão ter acesso ao estudo através do seguinte link:

Independent and Combined Influence of the Components of Physical Fitness on Academic Performance in Youth.

 

 

 

 

 

 

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Contributo SPEF e CNAPEF para Programa Nacional de Saúde Escolar

Capa publicação sobre Programa de Saúde Escolar.

“Todas as crianças e todos os jovens devem frequentar uma escola que promova a saúde e o bem-estar.” Esta é a grande finalidade do Programa Nacional de Saúde Escolar elaborado pela Direção Geral de Saúde, cujo período de discussão pública terminou no passado dia 18 de Maio. 

 

Em anexo segue o contributo conjunto elaborado pela SPEF – Sociedade Portuguesa de Educação Física e pela CNAPEF – Conselho Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física.

Parecer SPEF CNAPEF sobre o PNSE

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Tendências Contemporâneas da Gestão Desportiva

livro_tendencias

No passado dia 1 de abril foi apresentado na sede do Comité Olímpico de Portugal, o livro “Tendências contemporâneas da gestão desportiva”. Esta obra, que conta com diversos autores, entre os quais alguns experts da área da gestão, de reconhecido mérito, competência e trabalho realizado, certamente deverá merecer a atenção de todos os que direta ou indiretamente estão ligados ou se interessam pela área de gestão desportiva.

Foi criado um sítio da Internet que apresenta os autores e os temas abordados Tendências Contemporâneas da Gestão Desportiva.

 

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