Um País (Portugal) sentado no sofá

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CNAPEF ajuda a lançar discussão para o próximo Programa de debate Fronteiras XXI (RTP 3) alertando para o trabalho que é ainda é necessário realizar para a Educação Física consiga promover estilos de vida saudáveis, nomeadamente no início do percurso escolar dos alunos.

“Estamos muito preocupados com o processo educativo no 1º ciclo, que é deficiente, até pela falta de instalações e profissionais.

Avelino Azevedo, Presidente do CNAPEF foi um dos entrevistados pelo jornalista Luís Francisco para o lançamento do próximo Programa da série “Fronteiras XXI, subordinado ao tema “O desporto entre os jovens”.

Nos diversos temas que teve oportunidade de abordar, a Educação Física no 1.º Ciclo foi uma temática em destaque: “Há alunos do 2º ano que não são capazes de saltar bem à corda e estudantes do 5º que não sabem correr. Em vez de os ensinarmos a praticar desporto temos de os ensinar a mexer-se”, mostrando-se preocupado “com o processo educativo no 1º ciclo, que é deficiente, até pela falta de instalações e profissionais”. Para Avelino Azevedo, a solução passaria por “colocar um professor de Educação Física a coadjuvar o docente generalista e generalizar a boa prática de aproveitamento racional das instalações municipais, como os pavilhões e as piscinas”.

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Fonte – Instituto Português do Desporto e Juventude/Estatísticas do Desporto, Special Eurobarometer 472/Sport and Physical Activity

“… no 5º ano ainda temos de ensinar miúdos a correr, como pôr o pé, etc… São questões básicas, que tinham de ser trabalhadas antes” alerta, embora a principal preocupação “prende-se com o número de horas de atividade física que os alunos cumprem sob supervisão especializada”, explica Avelino Azevedo. “Queremos cumprir as normas europeias e da Organização Mundial de Saúde: uma hora de exercício diário por dia. Se não for na escola, para muitos não será em lado nenhum.”

O impacto social da disciplina de Educação Física na vida dos alunos é enorme, porque é a única no percurso escolar que trabalha o corpo, até em questões muito prosaicas. “Para alguns, que vivem com dificuldades económicas e em lares desestruturados, o banho que tomam na escola depois das aulas pode até ser o único nessa semana…”.

O desinvestimento na Educação Física foi outra temática abordada, já que, em 2012, a disciplina deixou de contar para a média dos alunos do secundário e durante esses anos houve um claro desinvestimento na disciplina: “Nas alturas mais complicadas, os alunos apontavam para as outras disciplinas, as que contavam para a média de acesso ao ensino superior, tal como dos Directores das escolas, no momento de tomar decisões; e do Ministério da Educação, que negligenciou a formação de professores”, defende.

E acrescenta: “Esta fase anterior também coincidiu ainda com a vaga de obras nas escolas a cargo da Parque Escolar e o estatuto “menor” da Educação Física levou a que muitas remodelações adotassem intervenções minimais ou deixassem mesmo de lado as instalações desportivas”. Como exemplo dá o facto de haver “escolas com zonas cobertas, mas não fechadas… Ora, em algumas regiões do país isso até pode servir, mas no Norte e no Interior é impossível dar aulas ao ar livre durante o Inverno! E mais: essas instalações das escolas acabam também por ser utilizadas pela comunidade em horários pós-escolares, pelo que se perdeu uma oportunidade que vai muito para além do universo escolar”, refere o presidente do CNAPEF.

Contudo, era inevitável que a Educação Física recuperasse o seu estatuto, como ficou aprovada na Assembleia da República e alterado pelo atual Governo. “A questão foi ultrapassada. O aluno é um todo, a Educação Física não trabalha apenas o corpo, potencia tudo o que ajuda na aprendizagem: trabalhar em grupo, saber ganhar e perder, questões de saúde, de auto-estima, de integração.”

Este debate, que vai para o ar no dia 20 de março, pelas 22 horas, na RTP 3, conta com a presença do ex-selecionador nacional de rugby Tomaz Morais, do campeão de judo Nuno Delgado, do professor de educação física Paulo Barrigana e da socióloga do desporto Salomé Marivoet, co, sob a moderação jornalista Ana Lourenço

Tenha acesso ao artigo completo através da seguinte ligação – Um país sentado no sofá

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2 Comments on “Um País (Portugal) sentado no sofá

  1. Iniciativa excelente falar desta temática na televisão. Estamos realmente a não conseguir evoluir.
    Falta um trabalho coerente de todos os profissionais de Educação Física e leis que efetivamente ajudem a não perturbem!

    • Cara Helena.
      Obrigado pelo seu comentário.
      Vivemos uma fase atual onde existe uma convergência entre referências curriculares, nomeadamente programas de Educação Física, perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória e aprendizagens essenciais. Temos também, e que é uma inovação ao nível europeu, provas de avaliação externa em linha com as referências curriculares.
      Temos uma disciplina com o mesmo estatuto que as restantes no Ensino Secundário e 2° e 3° CEB.
      Temos excelentes profissionais que conseguem dinamizar as escolas, em muitas situações, como nenhum outro grupo profissional consegue.
      Mas nem tudo está como devia. Falta tempo para educar os alunos na Educação Física e temos um problema muito grave no 1°CEB.

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