CNAPEF

CNAPEF e SPEF contradizem Nuno Crato

Foi com inquietação que tanto o CNAPEF (Conselho Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física) como a SPEF (Sociedade Portuguesa de Educação Física) tiveram conhecimento do relatório da Comissão de Educação Ciência e Cultura na sequência da entrega da petição pública “Não Há Educação sem Educação Física”, tornado público no passado dia 10 de dezembro. Neste documento, elaborado pelo relator nomeado para esse efeito, o deputado do PSD, Paulo Cavaleiro, é referido que o gabinete do Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, afirmou o seguinte:

Estas informações prestadas pelo Ministério da Educação e Ciência não traduzem a realidade concreta da organização curricular da disciplina de Educação Física e da sua efetiva lecionação nas nossas escolas.

Em relação ao 1º Ciclo do Ensino Básico, os relatórios produzidos pela Comissão de Acompanhamento das Atividades de Enriquecimento Curricular no 1º Ciclo do Ensino Básico são claros a indicar que, na esmagadora maioria das escolas, não há aulas de Educação Física.

Em relação aos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e ao Ensino Secundário, os dados recolhidos pelo CNAPEF e pela SPEF são contrários aos apresentados pelo gabinete do Sr. Ministro Nuno Crato.

Após o Congresso Nacional Extraordinário de 2012, CNAPEF e SPEF desenvolveram um estudo sobre a organização curricular da Educação Física no ano letivo 2012/2013. Este trabalho, que resultou da recolha de dados de mais de 600 escolas em Portugal Continental e Ilhas, procurou responder à seguinte questão: que efeitos teve o decreto de lei n.º 139/2012 de 5 julho no modo como os escolas definem os minutos semanais atribuídos à Educação Física?

Algumas das principais conclusões deste estudo foram que:

Em relação à referência ao constrangimento que a classificação da disciplina constitui para alguns alunos, consideramos que não tem qualquer fundamento de caráter pedagógico que sustente este regime de exceção para a Educação Física.

Com exceção do Ministério da Educação e Ciência, PSD e CDS, todas as entidades consultadas expressaram a sua concordância com os argumentos apresentados pelo CNAPEF e pela SPEF, e corroborados por um grande número de organizações nacionais e internacionais ligadas à educação e saúde.

Tendo em conta o teor deste relatório o CNAPEF e a SPEF emitiram um parecer que irá ser enviado, com conhecimento ao Sr. Ministro da tutela, ao deputado Paulo Cavaleiro, relator da petição, ao presidente da Comissão de Educação, Ciência e Cultura, o deputado José Ribeiro e Castro, e aos deputados dos vários grupos parlamentares que compõem a Comissão de Educação, Ciência e Cultura. Neste parecer esclarecemos, novamente, os nossos argumentos em aspetos que consideramos essenciais e colocamos as nossas dúvidas e preocupações face ao modo como este relatório foi preparado, assim como a argumentação e dados aí atribuídos ao Ministro da Educação e Ciência e aos deputados dos grupos parlamentares do PSD e CDS no âmbito da análise desta petição.

Não à redução da carga horária da Educação Física nos ensinos básico e secundário; não ao regime de excepção da Educação Física na avaliação dos alunos no ensino secundário; e não à continua e progressiva desvalorização do Desporto Escolar.  Estas são as exigências dos mais de 12600 cidadãos que subscreveram a petição “Não Há Educação sem Educação Física”, e pelas quais o CNAPEF e a SPEF irão continuar a sua intervenção como movimentos associativos.

Através dos links em baixo indicados poderão ser descarregados os seguintes documentos: